Garage34® - 2009 Todos direitos reservados Ainda consigo sentir o cheiro da tinta retirada das grades dos velhos Fiat quando, mesmo menino, meu tio me incumbia de fazê-lo. Recordo-me de ficar horas a fio raspando estas grades com uma pequena chave de fenda – que para o tamanho de minha mão aos seis ou sete anos de idade parecia enorme – e posso ainda sentir a satisfação que dava ao ver o carro pronto, totalmente restaurado, agora com aquela grade polida e reluzente na qual havia ficado horas para remover a tinta. Acredito que até houvesse algum produto na época que fizesse este serviço mais facilmente, mas era interesse deles, meu pai e meu tio, que eu pegasse gosto por aquilo que estava fazendo. Pois bem, posso afirmar que a tática deles deu certo! Os anos se passaram e o gosto pelos carros antigos ainda permanecia bem definido em meu dia a dia. Foram muitas visitas a desmanches em busca de peças para carros ou até mesmo para jogar conversa fora com os amigos. Dá muita saudade daquela época, especialmente aos sábados que era o dia que íamos visitar meu tio na R Davini, antiga casa de autopeças da rua Piratininga, local onde haviam muitos desmanches de carros antigos também. Muito das coisas que sei até hoje sobre carros foram aprendidas escutando atentamente as conversas que aconteciam na R Davini aos sábados. Ainda consigo me recordar de alguns diálogos completos escutados ali e que mantenho guardado até hoje em minha mente. Era uma verdadeira escola. Alguns anos depois o inevitável aconteceu: comprei meu primeiro carro antigo. Estava com dezesseis anos e lembro-me de estar juntando dinheiro para comprar uma pequena motocicleta. Felizmente, por obra do destino, adquiri minha pick-up Chevrolet 1954 que possuo até hoje. Esta foi uma verdadeira escola em termos de mecânica, funilaria, parte elétrica e tudo o que pode estar envolvido em um projeto de restauração de qualquer veículo. Agora que possuía um carro antigo, o primeiro a fazer foi deixá-la em boas condições de uso ainda que com a mecânica original. Foram muitas e muitas horas de trabalho e dedicação, além da utilização de todo o conhecimento de meu tio e de meu pai para ter a pick-up rodando imponentemente na cor vermelho granado, ao invés daquele antigo verde escuro, típico das pickups Chevrolet. Costumo dizer que a origem da Garage34® data do início da década de 1970, quando comecei a freqüentar os desmanches, ainda menino, com meu pai, Dino Plácido Miozzo, e meu falecido e saudoso tio, Livio Luiz Miozzo. Naquela época, não eram os carros americanos que os atraíam, mas sim os carros italianos da marca Fiat que ainda nem sonhava em se instalar no Brasil. Lembro-me que dado momento de minha infância meu tio possuía seis Fiats Topolino, todos do mesmo ano, além de outros modelos da marca. Eram carros usados por nossa família diariamente, todos em bom estado de conservação e sempre que possível restaurados. Foram vários meses felizes rodando com minha pick-up. Costumo dizer que a felicidade não foi mais prolongada devido ao falecimento de meu tio logo após a pick-up ter ficado pronta. Este fato fez com que eu prometesse a mim mesmo que jamais venderia aquele carro, e esta decisão está diretamente ligada ao fato de hoje eu possuir e dirigir a Garage34®. Todas as linhas que escreverei daqui em diante são fruto dessa atitude...