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Ainda consigo sentir o cheiro da tinta retirada das grades dos velhos Fiat quando, mesmo menino, meu tio me incumbia de
fazê-lo. Recordo-me de ficar horas a fio raspando estas grades com uma pequena chave de fenda – que para o tamanho
de minha mão aos seis ou sete anos de idade parecia enorme – e posso ainda sentir a satisfação que dava ao ver o carro
pronto, totalmente restaurado, agora com aquela grade polida e reluzente na qual havia ficado horas para remover a tinta.
Acredito que até houvesse algum produto na época que fizesse este serviço mais facilmente, mas era interesse deles,
meu pai e meu tio, que eu pegasse gosto por aquilo que estava fazendo. Pois bem, posso afirmar que a tática deles deu
certo!
Os anos se passaram e o gosto pelos carros antigos ainda permanecia bem definido em meu dia a dia. Foram muitas
visitas a desmanches em busca de peças para carros ou até mesmo para jogar conversa fora com os amigos. Dá muita
saudade daquela época, especialmente aos sábados que era o dia que íamos visitar meu tio na R Davini, antiga casa de autopeças da
rua Piratininga, local onde haviam muitos desmanches de carros antigos também. Muito das coisas que sei até hoje sobre carros foram aprendidas
escutando atentamente as conversas que aconteciam na R Davini aos sábados. Ainda consigo me recordar de alguns diálogos completos escutados
ali e que mantenho guardado até hoje em minha mente. Era uma verdadeira escola.
Alguns anos depois o inevitável aconteceu: comprei meu primeiro carro antigo. Estava com dezesseis anos e lembro-me de estar juntando dinheiro
para comprar uma pequena motocicleta. Felizmente, por obra do destino, adquiri minha pick-up Chevrolet 1954 que possuo até hoje. Esta foi uma
verdadeira escola em termos de mecânica, funilaria, parte elétrica e tudo o que pode estar envolvido em um projeto de restauração de qualquer
veículo.
Agora que possuía um carro antigo, o primeiro a fazer foi deixá-la em boas condições de uso ainda que com a mecânica original. Foram muitas e
muitas horas de trabalho e dedicação, além da utilização de todo o conhecimento de meu tio e de meu pai para ter a pick-up rodando
imponentemente na cor vermelho granado, ao invés daquele antigo verde escuro, típico das pickups Chevrolet.
Costumo dizer que a origem da Garage34® data do
início da década de 1970, quando comecei a
freqüentar os desmanches, ainda menino, com meu
pai, Dino Plácido Miozzo, e meu falecido e saudoso
tio, Livio Luiz Miozzo. Naquela época, não eram os
carros americanos que os atraíam, mas sim os
carros italianos da marca Fiat que ainda nem
sonhava em se instalar no Brasil. Lembro-me que
dado momento de minha infância meu tio possuía
seis Fiats Topolino, todos do mesmo ano, além de
outros modelos da marca. Eram carros usados por
nossa família diariamente, todos em bom estado de conservação e
sempre que possível restaurados.
Foram vários meses felizes rodando com minha pick-up. Costumo dizer que a felicidade não foi mais prolongada devido ao falecimento de meu tio
logo após a pick-up ter ficado pronta. Este fato fez com que eu prometesse a mim mesmo que jamais venderia aquele carro, e esta decisão está
diretamente ligada ao fato de hoje eu possuir e dirigir a Garage34®. Todas as linhas que escreverei daqui em diante são fruto dessa atitude...
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